Por Por Túlio Amâncio, Victória Oliveira, g1
O desembargador Dirceu Santos, o deputado estadual Faissal Calil (PL) e o advogado Bruno Oliveira Castro foram alvos da Operação Gemini, nesta segunda-feira (8), em Cuiabá. A ação investiga um suposto esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
O g1 tenta localizar a defesa dos alvos.
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços dos investigados, além de buscas pessoais e da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático, com autorização da Justiça.
A polícia, no entanto, não detalhou qual seria o papel de cada investigado nem como eles teriam atuado no suposto esquema.
O g1 entrou em contato com a corregedoria do TJMT, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Segundo a PF, os investigados podem responder pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e advocacia administrativa — que ocorre quando um servidor público utiliza do cargo para defender interesses particulares.
Em março deste ano, Dirceu foi afastado, por tempo indeterminado, após decisão da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ele foi o terceiro magistrado a ser afastado da Justiça de Mato Grosso desde o início das investigações por venda de decisões (entenda mais abaixo).
Na época, o CNJ apontou indícios de que o desembargador teria proferido decisões judiciais "mediante possível recebimento de vantagens indevidas", com intermediação de terceiros, entre eles empresários e advogados.
A medida de afastamento foi adotada após a investigação também apontar movimentação financeira considerada atípica nas contas do magistrado, que somaram mais de R$ 14,6 milhões em um período de cinco anos.

